Com 40 milhões de escravos no mundo, OIT pede mais empenho dos países

  • 20/09/2017 11h51
  • Lisboa
Marieta Cazarré – Correspondente da Agência Brasil
Mundo precisa se esforçar mais para eliminar o trabalho escravo e o trabalho infantil até 2025, afirma diretor da OITArquivo/Ministério Público do Trabalho/Divulgação

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou uma pesquisa, desenvolvida com a Fundação Walk Free, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que mostra que mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo foram vítimas da escravidão moderna em 2016. Destas, cerca de 25 milhões estavam em trabalho forçado e 15 milhões em casamentos forçados.

A organização alerta que, se não houver maior esforço por parte dos governos em todo o mundo, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável que visa a erradicação da escravidão até 2025 não será alcançado.

As estimativas mostram que as mulheres e meninas são as mais afetadas pela escravidão moderna, representando quase 29 milhões (71% do total). As mulheres representam 99% das vítimas do trabalho forçado na indústria do sexo e 84% das vítimas de casamentos forçados.

Casamentos forçados

De acordo com o relatório Global estimates of modern slavery (Estimativas globais da escravidão moderna, em tradução livre), o casamento forçado refere-se a situações em que pessoas, independentemente da idade, são obrigadas a se casar sem consentimento.

“Em algumas partes do mundo, meninas jovens e mulheres são obrigadas a se casar em troca de pagamento às suas famílias, cancelamento de dívidas, ou para encerrar disputas familiares. Em países com níveis significativos de conflito, elas podem ser forçadas por grupos armados e obrigadas a casar, suportando abusos sexuais, físicos e emocionais”, revela o texto.

Cerca de 37% das vítimas de casamentos forçados eram crianças no momento em que o casamento ocorreu. Entre elas, 44% foram forçadas a se casar antes de completar 15 anos, sendo que houve casos em que as meninas tinham apenas 9 anos.

O problema também acontece em países desenvolvidos, com mulheres e meninas obrigadas a se casarem com homens estrangeiros por razões culturais, ou para garantir o acesso de outra pessoa no país. Uma vez forçadas a casar-se, muitas vítimas são expostas a outras formas de exploração, incluindo exploração sexual, servidão doméstica e trabalho forçado.

A cada mil pessoas em todo o mundo, 2,1 estavam vivendo em casamento forçado em 2016. Mais de 90% dos casos ocorreram na África, Ásia e Pacífico. A África registrou os piores índices, com 4,8 vítimas por cada mil pessoas. A região da Ásia e do Pacífico registrou 2,0 a cada mil habitantes; a Europa, Ásia Central e Estados árabes (1,1) e as Américas (0,7).

Trabalho infantil

Os dados mostram ainda que há cerca de 152 milhões de crianças sujeitas a trabalho infantil. A pesquisa revelou que 73 milhões de crianças no mundo estão em trabalho perigoso. Apesar dos avanços, que mostraram uma redução de 94 milhões no número de crianças exercendo trabalho infantil nos últimos 16 anos, a tendência mostra que, se os progressos continuarem no mesmo ritmo, o ODS não será alcançado.

O relatório Global estimates of child labour (Estimativas globais de trabalho infantil, em tradução livre), feito pela Alliance 8.7, traça um cenário futuro pouco promissor. De acordo com o documento, 121 milhões de crianças ainda estarão em trabalho infantil em 2025, dos quais 52 milhões estarão em trabalho perigoso.

O relatório mostrou que, entre 2008 e 2012, houve uma redução de 47 milhões de crianças em trabalho infantil. Entre 2012 e 2016, os avanços diminuíram muito, com uma redução de apenas 16 milhões de crianças.

Aliança 8.7 pelo ODS

As organizações envolvidas na pesquisa lançaram a Alliance 8.7 (Aliança 8.7), uma parceria estratégica global que reúne os governos, as organizações das Nações Unidas, o setor privado, organizações e sociedade civil que atuam em relação ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 8.7.

O objetivo aponta o compromisso de “tomar medidas imediatas e eficazes para erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e o tráfico de pessoas, e assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo recrutamento e utilização de crianças-soldado, e até 2025 acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas”.

“A mensagem que a OIT está enviando, juntamente com os nossos parceiros da Aliança 8.7, é muito clara: o mundo não estará em posição de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a menos que dramaticamente aumentemos nossos esforços para combater esses flagelos. Essas novas estimativas globais podem ajudar a moldar e desenvolver intervenções para prevenir o trabalho forçado e o trabalho infantil “, afirmou Guy Ryder, Diretor-Geral da OIT.

Edição: Lidia Neves
Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2017-09/com-40-milhoes-de-escravos-no-mundo-oit-pede-mais-empenho-dos

Santa Sé: diálogo na Rep. Centro-Africana e combate ao tráfico de pessoas

 

Arcebispo Paul Richard Gallagher – AP

20/09/2017 20:37
Nova York (RV) – A urgência do diálogo em busca do alcance da paz na República Centro-Africana e a necessidade de um esforço coletivo para contrastar o tráfico de seres humanos, o trabalho forçado e as escravidões modernas.Esses foram os pontos nodais de dois pronunciamentos, esta terça-feira (19/09), do secretário das Relações com os Estados, Dom Paul Richard Gallagher, na sede da Onu, em Nova York, onde está se realizando a 72ª Assembleia Geral das Nações Unidas.A visita pastoral do Papa Francisco a Bangui em novembro de 2015 foi pano de fundo para o dúplice apelo do prelado, de um lado, à comunidade internacional a fim de que  favoreça e apoie o desenvolvimento democrático do país, e, de outro lado, ao governo centro-africano a fim de que tutele “o estado de direito, combata a corrupção e garanta o acesso e a assistência à saúde e educação para todos sem discriminações” de raça, credo religioso ou estratificação social.

“Diálogo” é a palavra chave. Segundo o arcebispo inglês para obter resultados profícuos são necessários: “um cessar-fogo entre as partes; o desarmamento de grupos armados e a reinserção de seus membros na comunidade civil; assegurar a justiça para as vítimas dos ataques atrozes à população inerme, o retorno dos refugiados – sejam eles cristãos ou muçulmanos – a uma vida serena em sua terra”.

Quanto às outras confissões religiosas, “a Igreja católica buscará em relação a elas aquilo que une, ao tempo em que se oporá àquilo que causa divisão ou contendas, porque a busca da paz está acima de qualquer outro bem”, disse o prelado.

As palavras de apreço que o representante vaticano dirigiu à MINUSCA – a missão de paz da Onu em Bangui – pelo trabalho realizado foram também ocasião para exortá-la à prioritária proteção da segurança dos mais vulneráveis, especialmente crianças e mulheres. Por conseguinte, o aumento do número de efetivos de forças de paz e a reorganização de suas operações são fundamentais.

O secretário das Relações com os Estados pediu que se tutele a dignidade dos mais fracos a fim de que estejam “livres de agressões armadas e de toda forma de abuso ou humilhação que possa degradar a dignidade destes”.

A dignidade humana esteve no centro também da declaração do prelado sobre o tráfico de pessoas. Para contrastá-lo, disse, é urgente a “promoção de instrumentos jurídicos eficazes” junto a “uma concreta colaboração em múltiplos níveis por parte de todos os grupos em questão”.

Já em 1965 – recordou – a Santa Sé condenou firmemente como infames a escravidão, a prostituição, a venda de mulheres e crianças e todos aqueles casos em que as pessoas são privadas de sua liberdade e tratadas como mercadoria”.

A erradicação do tráficos de seres humanos encontra-se também entre as principais preocupações do Pontificado do Papa Francisco, frisou Dom Gallagher. A esse propósito foram mencionados os vários exemplos de parcerias existentes entre a Igreja Católica e outras instituições, em particular o Grupo Santa Marta.

O desafio é grande e requer a colaboração de todos numa ótica de fraternidade e solidariedade. O secretário das Relações com os Estados reconheceu isso concluindo em seguida: “devemos responder às dezenas de milhões de vítimas, que nos olham com desesperada esperança por sua emancipação e o retorno a uma vida de dignidade e liberdade”. (RL/PO)

Fonte: http://br.radiovaticana.va/news/2017/09/20/santa_s%C3%A9_di%C3%A1logo_na_rep_centro-africana_e_combate_tr%C3%A1fico/1338044

Quarenta milhões de pessoas vítimas de escravatura moderna em 2016

Além do trabalho e dos casamentos forçados, a escravatura moderna engloba conceitos como tráfico humano ou exploração para pagamento de dívida.

Reuters/JORGE DAN LOPEZ

Foto
REUTERS/JORGE DAN LOPEZ

Quarenta milhões de pessoas foram vítimas de escravatura moderna no ano passado, e 152 milhões de crianças foram submetidas a trabalho infantil, segundo dados divulgados nesta terça-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A OIT e a fundação Walk Free, em associação com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), divulgaram dois relatórios sobre estes fenómenos relacionados com um dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (o objectivo 8.7), no âmbito da 72.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, cujo debate geral anual se iniciou hoje na sede da organização, em Nova Iorque.

Dos 40 milhões de vítimas de escravatura moderna, 25 milhões foram submetidas a trabalho forçado e 15 milhões a casamentos forçados.

As mulheres e as meninas são desproporcionalmente afectadas por este flagelo, somando 29 milhões do total de pessoas afectadas pela escravatura moderna, ou seja, mais de sete em cada dez pessoas (71%).

Elas constituem 99% das vítimas de trabalho forçado na indústria do sexo e 58% noutros sectores, sendo também em 84% vítimas de casamentos forçados, segundo as estimativas da OIT.

Estas formas de escravatura ocorrem em todas as regiões do mundo; contudo, e apesar da falta de dados em algumas áreas, são mais frequentes em África (7,6 em 1000 pessoas), seguida da Ásia e do Pacífico (6,1 em 1000 pessoas) e, por último, na Europa e Ásia Central (3,9 em cada 1000).

Além do trabalho e dos casamentos forçados, a escravatura moderna engloba conceitos como tráfico humano ou exploração para pagamento de dívida, que afecta metade de todas as vítimas de trabalho forçado imposto por actores privados.

Entres os números mais destacados, as agências especializadas da ONU indicaram nos relatórios que uma em cada quatro vítimas de escravatura moderna é uma criança, pelo que o repto de acabar com o trabalho infantil mantém a sua urgência.

Em todo o mundo, há 152 milhões de crianças que trabalham, ou seja, uma em cada dez crianças, e metade delas, cerca de 73 milhões, fazem-no em trabalhos perigosos que põem em risco a sua saúde, segurança e desenvolvimento moral.

Apesar de o trabalho infantil ter diminuído entre 2012 e 2016, fê-lo a um ritmo mais lento que em períodos anteriores: agora, caiu 16 milhões, ao passo que entre 2008 e 2012, a redução foi de 47 milhões, precisa-se nos relatórios.

“Temos de mexer-nos com maior rapidez se queremos cumprir o nosso compromisso de acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas até 2025”, admitiram as organizações.

Nove em cada dez crianças sujeitas a trabalho infantil pertencem às regiões de África e Ásia-Pacífico, e um progresso em África, onde se concentram 72 milhões das crianças exploradas, representaria uma redução nos números globais.

Os estudos relacionam o trabalho infantil com as situações de conflito e desastres: a incidência do fenómeno em países afectados por um conflito armado é 77% mais elevada que a média global, explicaram.

Um grande número das crianças submetidas a trabalho infantil encontra-se fora do sistema educativo: no grupo entre os cinco e os 14 anos, há 36 milhões de crianças que trabalham e não estão escolarizadas, conclui o documento.

O Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 8.7 pretende erradicar o trabalho forçado, pôr fim à escravatura moderna e ao tráfico de pessoas e garantir a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo o recrutamento de crianças para as transformar em soldados.

Os autores do estudo indicaram que os dados foram obtidos através de entrevistas presenciais a mais de 71.000 pessoas com 15 ou mais anos.

Fonte: https://www.publico.pt/2017/09/19/mundo/noticia/quarenta-milhoes-de-pessoas-vitimas-de-escravatura-moderna-em-2016-1785992

Uma em cada 10 crianças em todo o mundo é vítima de trabalho infantil

TRABALHO INFANTIL

Os números são números da Organização Internacional do Trabalho, que alerta para o facto de, a manter-se este ritmo, não ser possível acabar com o trabalho infantil até 2025.

Foto:  Soe Zeya Tun/Reuters

Mais de 150 milhões de crianças em todo o mundo são forçadas a trabalhar.

O trabalho infantil está mais presente no continente africano, com uma em cada cinco crianças obrigada a trabalhar. É a região com maior risco de trabalho infantil, seguida da Ásia e do Pacífico.

Ainda assim, o estudo da Organização Internacional do Trabalho mostra que o trabalho infantil não se limita às regiões mais pobres, com números expressivos para o continente americano e para a Europa.

Mais de dois terços das crianças trabalham em negócios e quintas de família.

Além do trabalho infantil, o estudo da Organização Internacional do Trabalho mostra que mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo são vítimas de escravatura moderna, dos quais 10 milhões são crianças.

Construção civil, pesca e agricultura, trabalho doméstico ou trabalho sexual, são os setores que mais absorvem trabalho escravo, sendo que 99 por cento das vítimas de trabalho sexual forçado são mulheres.

Fonte: http://www.tsf.pt/sociedade/interior/uma-em-cada-10-criancas-em-todo-o-mundo-e-vitima-de-trabalho-infantil-8781002.html