Três acusados de crime de tráfico de seres humanos no Porto

SEF

Dois homens e uma mulher provenientes do leste europeu foram detidos e colocados em prisão preventiva, acusados de crimes de tráfico de seres humanos, em operações que decorreram no Porto.

De acordo com a nota enviada à comunicação social, a investigação do SEF durava há um ano e, além de resultar na detenção dos três cidadãos, com idades compreendidas entre os 21 e 46 anos, resultou também na institucionalização de vários menores.

“Foram buscados dois domicílios, nos quais foram identificados 13 cidadãos estrangeiros, entre adultos, jovens e crianças utilizados na mendicidade. Nas buscas foi apreendido um elevado número de documentos que traduzem o ‘modus operandi’ do grupo criminoso, as atividades, forma de transporte e de exploração de crianças e jovens menores na mendicidade e em furtos em estabelecimentos em todo o território nacional”, pode ler-se no comunicado.

O SEF esclareceu também que, para a compreensão do modo de atuação do grupo, “foi essencial a cooperação internacional na troca de informação policial”, tal como “sinalizações efetuadas pela Polícia de Segurança Pública e Guarda Nacional Republicana”, relacionadas com “falsos peditórios, mendicidade e furtos em estabelecimentos, envolvendo menores e jovens adolescentes”, utilizados para “se aproximarem dos transeuntes”.

Esta operação foi levada a cabo por 20 inspetores do SEF, com o apoio da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e da Associação para o Planeamento da Família, tendo o Juiz de Instrução Criminal do Porto determinado a prisão preventiva dos três detidos, enquanto durar o inquérito.

Fonte: https://www.jn.pt/justica/interior/tres-cidadaos-acusados-de-crime-de-trafico-de-seres-humanos-no-porto-8925038.html

ONU quer intensificar luta contra tráfico de seres humanos

O Conselho de Segurança da ONU adotou hoje, por unanimidade, uma nova resolução sobre o tráfico de seres humanos em países em conflito que prevê, nomeadamente, o aumento de partilha e de acesso de informações cruciais entre Estados-membros.

Notícias ao Minuto

17:28 – 21/11/17 POR LUSA

MUNDO NAÇÕES UNIDAS

O flagelo do tráfico de seres humanos tem sido um dos assuntos focados pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que tem lançado vários apelos para que exista uma maior cooperação no seio das Nações Unidas nesta matéria.

“É da nossa responsabilidade coletiva parar estes crimes. Devemos agir imediatamente para proteger os direitos e a dignidade das populações migrantes”, sublinhou o ex-primeiro-ministro português.

“Isso significa levar à justiça os responsáveis e aumentar a ajuda humanitária”, acrescentou Guterres.

A adoção deste segundo texto, elaborado pela presidência rotativa italiana do Conselho de Segurança da ONU, acontece uma semana depois do canal de televisão norte-americano CNN ter divulgado uma reportagem sobre um leilão de escravos na Líbia.

As imagens mostravam migrantes africanos a serem vendidos como mercadoria e horrorizaram o mundo.

A nova resolução pretende criar uma parceria global de combate ao tráfico humano, exortando, por exemplo, os Estados-membros da ONU a desenvolverem bancos de dados com informações cruciais para a luta contra este flagelo.

O texto dá principal enfoque à denúncia de grupos terroristas que aproveitam a fraqueza de Estados debilitados por conflitos para fomentar o tráfico de seres humanos, que afeta homens, mulheres e crianças.

A resolução pede ainda ao secretário-geral da ONU para que atribua capacidades de recolha de informações às missões de manutenção da paz em todo o mundo, o que permitirá identificar, confirmar e reagir perante casos de tráfico de seres humanos.

Fonte: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/903795/onu-quer-intensificar-luta-contra-trafico-de-seres-humanos

Polícia grega desmantela rede de tráfico de pessoas e falsificação de documentos

A polícia grega prendeu 20 presumíveis traficantes de migrantes que se dedicavam também à falsificação de documentos, principalmente para albaneses que pretendiam instalar-se na Grã-Bretanha, anunciou hoje a Europol.

A Europol, que coordenou a ação, fez o anúncio em comunicado de imprensa.

Planificada desde julho, a operação de desmantelamento da rede integrou buscas a quatro vivendas na capital grega, tendo sido descobertos três laboratórios dotados de equipamento completo para falsificação de documentos.

Também foram apreendidos cartões de embarque, dezenas de passaportes e documentos de identidade e mais de 60 mil euros em dinheiro.

A maioria dos detidos da rede, que oferecia serviços na Grécia e em toda a Europa, por via postal e na Internet, é de nacionalidade albanesa, juntando-se a estes gregos de origem albanesa e três sírios.

A operação foi batizada de Taurus, teve a coordenação da Europol e a participação de Portugal, Espanha, Alemanha, Irlanda, Itália, Suécia e Reino Unido.

Pressionada pelas autoridades europeias, a polícia grega fortaleceu a luta contra o tráfico de migrante e a falsificação de documentos, depois do grande êxodo de 2015 e 2016 para a Europa através da Grécia.

Fonte: https://www.dn.pt/lusa/interior/policia-grega-desmantela-rede-de-trafico-de-pessoas-e-falsificacao-de-documentos-8898564.html

O intenso tráfico de mulheres na China

RAPTO E VENDA

O tráfico de mulheres nos países vizinhos da China a fim de serem vendidas como noivas para jovens chineses é intenso e lucrativo para os traficantes.

Casamentos com jovens sequestradas muitas vezes não são registrados (Foto: Flickr/Ira Gelb)

Huong só tinha 15 anos quando foi encontrar uma amiga em Lao Cai, uma cidade no norte do Vietnã na fronteira com a China. A amiga chegou ao lugar do encontro com dois rapazes montados em motocicletas. Eles passearam com as garotas pela cidade e as levaram para um bar de karaokê, onde puseram uma mistura de remédios e drogas em suas bebidas.

Quando as garotas ficaram sonolentas, os rapazes as colocaram nas motos, atravessaram a fronteira da China e seguiram em direção a uma casa distante na região rural. Lá, avisaram que elas seriam vendidas. Os traficantes disseram a Huong que, ao atravessar a fronteira, ela tinha manchado sua reputação, mas caso se comportasse bem, eles a ajudariam a encontrar um marido chinês. Porém, se recusasse, ficaria presa na casa.

Huong, um pseudônimo para proteger sua identidade, agora tem 20 anos. Ela mora em uma grande casa em Lao Cai, que compartilha com algumas mulheres entre 15 e 24 anos. Todas são sobreviventes das redes de tráfico de pessoas que contrabandeiam jovens na fronteira entre o Vietnã e a China, às vezes para serem vendidas como prostitutas, mas com mais frequência como noivas. A casa, com enormes ursos de pelúcia e bicicletas rosas-shocking, é administrada pela instituição beneficente Pacific Links Foundation, que ajuda as vítimas a terminar os estudos e a superar o trauma do sequestro.

No mundo inteiro, cerca de 15 milhões de mulheres vivem situações em que foram obrigadas a se casar, em alguns casos depois de serem sequestradas, de acordo com um estudo recente da Organização Internacional do Trabalho. Na China, o tráfico de mulheres é intenso, em parte porque a preferência por filhos do sexo masculino causou um desequilíbrio entre a proporção dos sexos. De 1979 a 2015, esse desequilíbrio acentuou-se com a política do filho único, o que levou muitas mulheres a fazerem aborto de crianças do sexo feminino. Segundo estimativas da Academia Chinesa de Ciências Sociais, em 2020 entre 30 milhões a 40 milhões de chineses não encontrarão jovens chinesas com quem possam se casar.

Alguns chineses importam noivas de países vizinhos mais pobres, como Laos, Mianmar, Camboja, Vietnã, Mongólia e Coreia do Norte. Essas mulheres, atraídas pela perspectiva de uma vida melhor, aceitam a proposta de se casarem com um chinês. Mas com frequência são sequestradas na fronteira com a China.

Os relatos de sobreviventes do tráfico e de autoridades vietnamitas em Lao Cai revelam detalhes desse comércio sombrio. Todos os anos, entre 100 e 150 mulheres vietnamitas vítimas do tráfico voltam para casa, uma pequena parcela do total que são atraídas por promessas de um futuro melhor ou são raptadas.

Segundo Diep Vuong do Pacific Links, as vítimas são cada vez mais jovens. Na China, as mulheres não podem casar antes dos 20 anos, mas casamentos com jovens sequestradas muitas vezes não são registrados. A proliferação de smartphones baratos está facilitando o contato dos traficantes com as redes sociais, nas quais fazem amizade com jovens vietnamitas. Os traficantes ganham US$ 50 por cada mulher que importam para a China, onde muitas vezes são revendidas por intermediários. De acordo com dados da polícia chinesa, os traficantes ganham entre 60 mil e 100 mil yuans (US$ 9.000 – 15.000) por cada mulher em seu destino final.

Algumas vítimas do tráfico conseguem fugir e voltam logo para casa. Mas a história de Huong é longa. Os traficantes a prenderam na casa durante dois meses até que concordou em se casar. Em seguida, a levaram para uma cidade em Anhui, uma província a noroeste de Xangai, onde conheceu o noivo. O homem a quem foi vendida em casamento tinha 20 e poucos anos e, por ser de uma família rica, pagara 90 mil yuans por ela.

Huong tinha planos de voltar para o Vietnã. Os traficantes a levaram para Anhui junto com outra vietnamita. As duas combinaram fugir juntas. Mas o plano teve de ser adiado logo após a chegada, porque a amiga de Huong ficou grávida. Pouco depois Huong também ficou grávida. Menos de um mês depois de dar à luz, os pais do marido de Huong enviaram-na para viver e trabalhar em uma fábrica têxtil a quase quatro horas de distância, mas não permitiram que levasse o bebê.

Huong conseguiu poupar dinheiro para a viagem. Seus pais, com quem entrou em contato alguns meses depois de chegar a Anhui, ajudaram-na a se apresentar às autoridades. A polícia chinesa manteve-a em custódia durante três meses enquanto investigava sua história. Em seguida, as autoridades policiais prenderam algumas das pessoas envolvidas em seu sequestro e a enviaram de volta para o Vietnã.

Huong está terminando o ensino médio e quer estudar medicina. Ela não se arrepende de ter deixado a filha na China. Seria difícil criar uma criança sem pai no Vietnã. Além disso, os pais do marido eram ricos e gostavam da criança, disse. Um recomeço de vida para uma jovem com apenas 20 anos.

Fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/internacional/o-intenso-trafico-de-mulheres-na-china/