Secretário-geral da ONU pede união dos países contra o tráfico de pessoas

Em conferência sobre o tráfico de pessoas, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na quarta-feira (27) que a comunidade internacional se una para eliminar essa “prática abominável”.

O dirigente máximo das Nações Unidas participou de um encontro com representantes dos Estados-membros e alertou que esse tipo de violação ocorre em todos os cantos do planeta — o que exige parcerias entre países para o enfrentamento do crime.

 

Foto: EBC

Em conferência sobre o tráfico de pessoas, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na quarta-feira (27) que a comunidade internacional se una para eliminar essa “prática abominável“. O dirigente máximo das Nações Unidas participou de um encontro com representantes dos Estados-membros e alertou que esse tipo de violação ocorre em todos os cantos do planeta — o que exige parcerias entre países para o enfrentamento do crime.

“Segundo o relatório sobre tráfico de pessoas do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC), dezenas de milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado, servidão sexual, recrutamento na condição de crianças-soldado e outras formas de exploração e abuso”, disse Guterres.

O chefe do organismo internacional acrescentou que a prática criminosa afeta sobretudo os mais fracos e vulneráveis — mulheres e meninas, bem como meninos explorados para fins sexuais e para a retirada de órgãos vitais, crianças que são obrigadas a mendigar e homens levados a situações de trabalho forçado.

Guterres advertiu ainda que, mais recentemente, ondas de conflito, insegurança e incerteza econômica trouxeram novos desafios para autoridades em segurança e controle de fronteiras. Lembrando os fluxos de migrantes e refugiados que deixam seus países de origem, o secretário-geral foi categórico: ao buscarem paz em outras nações, elas acabam ficando “a mercê dos que não têm misericórdia”, os traficantes.

“Redes criminosas aproveitaram-se da desordem e do desespero para expandir sua brutalidade e seu alcance”, lamentou o chefe da ONU. Guterres pediu um compromisso renovado com os mecanismos do direito internacional criados para combater o tráfico de pessoas. Durante o encontro, representantes dos países adotaram uma resolução reafirmando seu apoio ao Plano Global da ONU para conter esse tipo de crime.

O secretário-geral acrescentou ainda que a Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável tem objetivos para mitigar as principais causas da vulnerabilidade das vítimas de tráfico. “Frequentemente, o tráfico é estimulado pela pobreza e pela desigualdade. O combate ao tráfico e a busca pelo desenvolvimento sustentável e inclusivo andam de mãos dadas.”

Fonte: https://nacoesunidas.org/secretario-geral-onu-pede-uniao-dos-paises-contra-trafico-pessoas/

Assembleia Geral da ONU analisa plano para combater o tráfico de seres humanos

  • Nova York (EUA)
Da ONU News
Algumas das 21 meninas de Chibok, libertadas após mais de dois anos em cativeiro pelo grupo terrorista Boko HaramSTR/EPA/Agência Lusa/Arquivo

A Assembleia Geral das Nações Unidas realiza nesta quarta-feira (27) uma reunião de alto nível para analisar o Plano de Ação Global sobre o combate ao tráfico de seres humanos e deve emitir, ainda hoje, uma Declaração Política sobre o tema. A informação é da ONU News.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursou na abertura do evento e lembrou que existem em todo o mundo dezenas de milhões de vítimas de trabalho forçado, escravidão sexual e  outras formas de abuso e exploração humana, como o recrutamento de crianças como soldados.

Guterres afirmou que o tráfico humano ocorre globalmente, vitimando mulheres vulneráveis, crianças, meninas e meninos. E segundo ele, vários negócios e empresas lucram com esta situação.

O chefe das Nações Unidas disse que as recentes situações de violência e insegurança agravam e aumentam casos de tráfico humano. Como os milhares de pessoas refugiadas que morrem em alto mar, em centros de detenção ou no deserto nas mãos de criminosos e  atravessadores.

Terroristas

Guterres mencionou grupos terroristas como o Boko Haram, na Nigéria, e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que continuam mantendo cativos, meninas, meninos e mulheres. Ele chamou a atenção para a organização deste tipo de crimes e o uso da tecnologia por parte dos bandidos espalhados pelo globo, que segundo ele se aproveitam de falhas na governança e da fraqueza das instituições.

Para a as Nações Unidas, existe mais atenção para a punição ao tráfico de drogas do que ao tráfico de pessoas, e isso precisa mudar. António Guterres disse que é responsabilidade dos líderes internacionais fazer do combate ao tráfico humano uma prioridade de cooperação internacional.

O chefe da ONU explicou que o combate ao tráfico humano requer um maior uso da Convenção contra o Crime Organizado Transnacional e outras convenções e protocolos das Nações Unidas.
Para ele, “não há mais tempo a perder. É hora de se levantar, reagir e eliminar a prática do tráfico de seres humanos de uma vez por todas”.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2017-09/assembleia-geral-da-onu-analisa-plano-para-combater-o-trafico-de-seres

ONU lança iniciativa de prevenção ao tráfico de pessoas

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CAMPANHA

Mulheres e meninas são as mais vulneráveis, correspondendo a 71% das vítimas

A sul-africana Grizelda Grootboom durante discurso na ONU
PUBLICADO EM 27/09/17 – 15h31

O plenário da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, reunia representantes de dezenas de países, na manhã desta quarta-feira (27), quando a sul-africana Grizelda Grootboom se aproximou do microfone. Por alguns instantes, ela encarou o público em silêncio. A emoção transbordava em sua respiração nervosa. “Não falo porque querer ser uma ativista, mas porque entendo e sinto a dor de cada menina que sofre exploração sexual”, afirmou.

Traída por uma amiga e forçada a trabalhar como escrava sexual dos 18 aos 26 anos em Joanesburgo, na África do Sul, Grizelda dá vida à estatística de dezenas de milhões de pessoas vítimas de tráfico humano no mundo. Segundo o último Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas, lançado em 2016 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, os crimes com fins de exploração sexual e trabalho forçado continuam sendo as modalidades mais detectadas do tráfico de pessas. Conforme o estudo, mulheres e meninas são as mais vulneráveis, correspondendo a 71% das vítimas em todo o mundo.

Para enfrentar essa realidade, a ONU lançou nesta quarta-feira a Declaração Política sobre a Implementação do Plano de Ação Global para Combater o Tráfico de Pessoas. A iniciativa tem o objetivo de reforçar as ações de prevenção ao crime, proteção às vítimas e criminalização dos traficantes pelos Estados-membros.

“O tráfico de pessoas está em todo o nosso redor, em todas as regiões do mundo”, disse o secretário geral das Nações Unidas, António Guterres, em discurso no evento. Guterres ressaltou o problema da impunidade aos traficantes, que ainda persiste em muitos países. “Traficantes de pessoas recebem muito menos atenção do que, por exemplo, traficantes de drogas. Isso precisa mudar”, afirmou. “Já vi muitos chefes das drogas na cadeia – e justamente. Mas nunca vi um comandante do tráfico de pessoas na cadeia”.

A ONU define o tráfico de pessoas como o crime caracterizado pelo “recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou recebimento de pessoas, por meio de ameaça ou uso da força ou outras formas de coerção, de rapto, de fraude, de engano, do abuso de poder ou de uma posição de vulnerabilidade ou de dar ou receber pagamentos ou benefícios para obter o consentimento para uma pessoa ter controle sobre outra pessoa, para o propósito de exploração”.

Entre as possíveis formas de exploração estão a prostituição, a exploração sexual, trabalhos forçados, escravidão, remoção de órgãos e outras práticas. Segundo a ONU, o crime movimenta anualmente 32 bilhões de dólares em todo o mundo.

Para o secretário geral das Nações Unidas, a cooperação internacional, incluindo compartilhamento de informações, garantia da aplicação de leis e fornecimento de assistência legal são fundamentais para superação do problema, bem como o fortalecimento do apoio às vítimas. “Ninguém deveria ter que enfrentar o trauma de suas experiências sozinho”, disse Guterres.

Sobrevivente do crime, Grizelda relatou sua história e quer continuar dando voz ao tema, para que as vítimas que ainda se encontram em situação de abuso e exploração encontrem alguma esperança de retomar suas vidas. “Espero que esse plano não fique apenas no papel. Mas que as ações se tornem realidade em cada país e cada cidade, garantindo a dignidade das pessoas”.

* A repórter viajou a convite da ONU

Fonte: http://www.otempo.com.br/capa/mundo/onu-lan%C3%A7a-iniciativa-de-preven%C3%A7%C3%A3o-ao-tr%C3%A1fico-de-pessoas-1.1524961

Portugal é nova rota no tráfico de crianças africanas

Lisboa está a ser usada como placa giratória para uma rede transnacional de tráfico de crianças da África subsaariana

São crianças e adolescentes dos países africanos a sul do Saara, de expressão francófona e anglófona, vêm com documentos falsos e acompanhadas por adultos que trazem “documentos bons” ou verdadeiros. Não têm Portugal como destino final mas países do centro europeu como França ou a Alemanha, descreveu ao DN fonte oficial da Unidade Anti-Tráfico de Pessoas da Direção Central de Investigação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). “Portugal está a ser usado como uma nova rota para as redes criminosas da África subsaariana que lidam com o tráfico de seres humanos. O nosso país assume-se cada vez mais como uma porta de entrada para o espaço Shengen”, frisou a mesma fonte.

Desde março, a Unidade Anti-Tráfico de Pessoas detetou cinco crianças trazidas nas condições descritas, no aeroporto de Lisboa, tendo detido os cinco adultos que as acompanhavam. Os menores foram todos institucionalizados. Apenasnum caso se conseguiu determinar quem eram os pais, nos outros não foi possível chegar à origem familiar pelo que as crianças continam em centros de acolhimento (onde legalmente podem permanecer até terem 18 anos).

A última situação foi detetada no sábado. A menina tinha menos de 10 anos e vinha acompanhada de um homem de 35, que dizia ser seu pai e que foi intercetado pelo SEF no controlo de fronteira realizado à chegada de um voo vindo de Dakar, no Senegal. O destino final do homem e da criança era a França. “O detido era residente legal num país da Europa e trazia documentos verdadeiros. Os documentos da criança eram falsificados. Foi o que chamou a atenção do nosso pessoal no aeroporto. Caso contrário, teríamos perdido o rasto a esta criança”, adiantou a fonte responsável do SEF.

Países como o Congo, República Centro Africana e África do Sul têm estado na mira das organizações policiais internacionais por causa das redes de tráfico de seres humanos. “A localização geográfica de Portugal e o facto de as rotas antigas já estarem identificadas está a levar estas redes criminosas a abrirem novas rotas, onde se inclui Lisboa”.

O facto de os adultos que têm acompanhado as crianças trazerem documentos verdadeiros tem permitido ao SEF seguir, pelo menos, o rasto destes intermediários “Alguns desses adultos já têm também nacionalidades europeias”. Quanto aos menores, “é difícil sabermos quem são, a verdadeira identidade, até porque alguns já não estavam com os pais”, adiantou , acrescentando que há suspeitas de miúdos “vendidos” pela família para redes, como escravos. “Dos cinco casos detetados desde março só conseguimos estabelecer, num deles, que o menor ia de facto para a Alemanha ter com a mãe, que já era residente legal naquele país. Esse era um caso de imigração ilegal, os outros serão de exploração para fins que ainda não conseguimos precisar”. Podem ser crianças que venham a ser usadas para exploração sexual, laboral ou servidão doméstica. O SEF suspeita até que podem ter sido mais de cinco os menores a entrar para a Europa via Lisboa mas não tem como o provar.

No último caso, o da criança com menos de 10 anos intercetada no sábado, o homem foi detido à parte, e a menina ficou “muito confusa e nervosa inicialmente”. O pouco que conseguiu explicar, quando já estava mais calma e tranquila, “foi a história de cobertura que lhe tinham ensinado”. Quando diretamente questionada “retraiu-se”.

Fonte oficial da Unidade Anti-Tráfico de Pessoas do SEF esclarece que os cinco casos deste ano “nada têm a ver com os de crianças angolanas detetadas no aeroporto de Lisboa, acompanhadas por adultos, e com as que vinham sozinhas em 2015 e 2016 e diziam ser menores, o que não se comprovava. Estas são de países de expressão francófona e anglófona e não vêm para ficar em Portugal, ao contrário do que acontecia com os menores angolanos”.

Para além da pista principal -os intermediários que trazem as crianças – as investigações do SEF esbarram com obstáculos. “A cooperação que temos com esses países é inexistente”.

Fonte: https://www.dn.pt/sociedade/interior/portugal-e-nova-rota-no-trafico-de-criancas-africanas-8800278.html