Desemprego e cortes no gasto público aumentam risco de tráfico de pessoas, diz especialista da ONU

Em situações de crise econômica, como a vivida pelo Brasil, o desemprego elevado e cortes em investimentos nos serviços públicos agravam o risco de populações vulneráveis serem vítimas do tráfico de pessoas. A avaliação é de Eurídice Márquez, especialista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Em visita ao Rio de Janeiro para um seminário internacional sobre tráfico humano e contrabando de migrantes, ela ressaltou na terça-feira (19) a necessidade de combater essas violações por meio da garantia de direitos.

Em situações de crise econômica, como a vivida pelo Brasil, o desemprego elevado e cortes em investimentos nos serviços públicos agravam o risco de populações vulneráveis serem vítimas do tráfico de pessoas. A avaliação é de Eurídice Márquez, especialista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Em visita ao Rio de Janeiro para um seminário internacional sobre tráfico humano e contrabando de migrantes, ela ressaltou na terça-feira (19) a necessidade de combater essas violações por meio da garantia de direitos.

“O desafio é a prevenção do crime, tentar fazer com que as pessoas não caiam nas mãos do tráfico. Como se faz isso? Buscando melhorar as condições de vida da população”, afirmou Eurídice, que destacou educação, saúde e, sobretudo, o trabalho, como áreas de atuação importante para as iniciativas de prevenção.

“Temos visto que, em situações como a que existe no Brasil e em outros países em crise, pode aumentar (o tráfico de humanos) porque aumentam as vulnerabilidades das pessoas. Há um maior desemprego, há menos serviços públicos e menos investimentos nos serviços públicos”, explicou.

Eurídice, que é oficial de justiça criminal e prevenção de crimes do UNODC, veio ao Brasil para um encontro que se encerrou na quarta-feira (20), na capital fluminense, e reuniu cerca de 150 especialistas, gestores do governo, juristas e representantes da sociedade civil. Encontro foi promovido com o apoio da União Europeia, em parceria com o governo federal, o UNODC, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O objetivo da iniciativa era enriquecer o debate nacional sobre o tema, tendo em vista a adoção pelo Brasil de um novo marco regulatório sobre tráfico de pessoas — a lei 13.344, de 2016.

A legislação ampliou o conceito de tráfico humano, antes tipificado como atividade para fins apenas de exploração sexual. Com a diretiva aprovada no ano passado, passaram a ser consideradas casos de tráfico de pessoas as ocorrências em que as vítimas são levadas a situações de trabalho análogas à escravidão ou a qualquer forma de servidão; têm seus órgãos ou tecidos removidos; ou passam por processos ilícitos de adoção internacional.

Astério Pereira dos Santos, secretário nacional de Justiça e Cidadania, do Ministério da Justiça. Foto: UNIC Rio/Pedro Andrade

Astério Pereira dos Santos, secretário nacional de Justiça e Cidadania, do Ministério da Justiça. Foto: UNIC Rio/Pedro Andrade

“A legislação está pronta. O que nós precisamos agora é, sobretudo, conscientizar a população para o enfrentamento dessa realidade”, afirmou o secretário nacional de Justiça e Cidadania, Astério Pereira dos Santos. “O desafio é também buscar a parceria com outros países”, acrescentou o dirigente, que enfatizou a natureza transnacional do tráfico de pessoas.

Também sobre a nova lei, Eurídice destacou que a medida alinha o Brasil aos padrões internacionais defendidos pela ONU para lidar com o tráfico humano. Isso é positivo não apenas no cenário doméstico, mas também para a cooperação entre o país e outras nações, uma vez que a adoção de parâmetros globais comuns favorece a atuação conjunta contra a criminalidade.

Faltam dados

Também presente no evento, a coordenadora-geral de proteção social de jovens e adolescentes do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Alline Birol, criticou a escassez de dados precisos sobre as vítimas de tráfico humano no Brasil. Entre as causas, estão a subnotificação do crime e a falta de variáveis comuns para as entidades que recolhem informações sobre os crimes.

No Brasil, estatísticas são compiladas por instituições dos setores de apoio às vítimas, proteção social, justiça criminal e outros, sem que haja, porém, uma padronização da coleta de estatísticas ou um mecanismo capaz de unificar coerentemente os dados.

O resultado são panoramas e números díspares — organismos da Saúde, Direitos Humanos e Proteção Social, por exemplo, costumam registrar muito mais casos de tráfico associados à exploração sexual, ao passo que entidades do Judiciário identificam mais episódios vinculados ao trabalho escravo.

Segundo Alline, com os dados atualmente disponíveis, não é possível traçar um perfil da vítima de tráfico que seja condizente com a realidade e que traduza fielmente proporções de faixa etária, gênero e violações de direitos humanos associadas ao transporte e deslocamento da pessoa traficada. Também não existe um número total confiável sobre quantos brasileiros são vítimas desse crime por ano.

“Ainda que seja um crime subnotificado, se quando as situações chegam ao sistema, eu não sei registrar ou eu não tenho condições de registrar porque o sistema não me oferece as variáveis necessárias para tanto, eu não tenho como conhecer o fenômeno”, lamenta a gestora.

Érica Kaefer, assistente de projeto da OIM, também alertou para o que chamou de “gargalo” das estatísticas, uma dificuldade enfrentada por diferentes organizações que prestam assistência a vítimas e grupos suscetíveis ao tráfico e contrabando. A especialista aponta que a nova lei brasileira é bastante completa, mas “a falta de dados é algo que dificulta a implementação de políticas públicas” para combater o crime.

Contexto global

Ao longo dos últimos 12 anos, o UNODC catalogou ocorrências de tráfico envolvendo cerca de 200 mil vítimas. A análise mais recente dos casos catalogados pelo organismo da ONU, realizada em 2014, revelou que, em 85 países, 51% das vítimas são mulheres com 18 anos ou mais. Vinte porcento são meninas e adolescentes de até 17 anos, e 8% são meninos menores de idade. Homens com 18 anos ou mais representavam 21% do total de vítimas.

De acordo com o levantamento do Escritório das Nações Unidas, as diferenças de gênero também estão associadas ao tipo de exploração a que são submetidas as vítimas. Com dados de 71 países, o UNODC calculou que, entre as mulheres, 72% das vítimas foram levadas a situações de exploração sexual, enquanto, entre os homens, 85,7% foram colocados em contextos de trabalho forçado.

(Foto de capa: ao centro, Eurídice Márquez, oficial de justiça criminal e prevenção de crimes do UNODC. Crédito da foto: UNIC Rio/Pedro Andrade)

Fonte: https://nacoesunidas.org/desemprego-e-cortes-no-gasto-publico-aumentam-risco-de-trafico-de-pessoas-diz-especialista-da-onu/

Quarenta milhões foram vítimas de escravatura moderna em 2016

Mundo

Quarenta milhões foram vítimas de escravatura moderna em 2016
Tony Gentile – Reuters

Mais de 40 milhões de pessoas foram vítimas da chamada escravatura moderna durante o ano passado. O número foi avançado esta terça-feira por várias organizações parceiras das Nações Unidas. Três em cada quatro escravos é uma menina ou mulher.

A Organização Internacional do Trabalho, Walk Free Foundation e Organização Internacional para as Migrações juntaram esforços pela primeira vez para traçar o quadro internacional das vítimas de escravatura, quer através de trabalho forçado como de casamentos forçados.

Estas organizações estimam que 40.3 milhões de pessoas foram vítimas de escravatura moderna. Uma estimativa conservadora, acrescentam.

Dessas vítimas, 24.9 milhões estão fechadas a trabalhar em fábricas, locais de construção, quintas, barcos de pesca e como trabalhadoras domésticas ou sexuais. 15.4 milhões de pessoas tiveram de casar contra a sua vontade.
A escravatura moderna tem epicentro e é mais prevalente em África, seguindo-se Ásia e Pacífico, revela o relatório.
Três em cada quatro escravas são mulheres e meninas e uma em cada quatro era criança.

“Os trabalhadores forçados produzem alguma da comida que comemos e das roupas que vestimos ou limparam os edifícios onde vivemos ou trabalhamos”, revelou o grupo num comunicado, frisando que este crime é transversal a todas as nações.

Dado que a escravatura moderna pode ser ligada às migrações, o grupo alerta que é de “vital importância” que haja melhores políticas sobre as migrações que possam prevenir o trabalho forçado e para proteger as vítimas.

O esforço destas organizações foi agora de tentar encontrar uma estimativa global que se torne um ponto de referência, tentando pôr fim a diferentes número que ciclicamente vão surgindo.

Fiona David, diretora-executiva da Walk Free baseada na Austrália, disse que o número estimado de vítimas contrasta fortemente com os casos de escravatura que chegaram às autoridades competentes.

“Estes números são uma enorme fenda que temos de fechar”, afirmou David.
Quinze milhões de vítimas de casamentos forçados
Ao contrário de outras estimativas anteriores, este relatório inclui os casamentos forçados, em que muitas vezes as vítimas são retiradas de casa, violadas e tratadas como propriedade. Muitas podem mesmo ser compradas, vendidas ou fazer parte da herança de alguém.

O estudo diz que mais de um terço dos 15 milhões de vítimas de casamentos forçados tinha menos de 18 anos aquando do casamento. Cerca de metade dessas vítimas tinha menos de 15 anos. Quase todas eram do sexo feminino.

“O rótulo de casamento é enganador. Quando olhamos para a realidade, também pode ser chamado de escravatura sexual”, diz Fiona David, diretora executiva do grupo de pesquisa.
Exploração infantil envolve uma em cada dez crianças
O trabalho infantil, por seu lado, envolve 152 milhões de crianças. Ou seja, uma em cada dez crianças de todo o mundo. Muitas delas estão envolvidas em trabalho de risco.

Quase dois terços destas crianças trabalhavam numa quinta da família, num negócio familiar, sendo que 71 por cento das crianças estava a trabalhar na agricultura.

O relatório agora dado a conhecer mostra que metade do número total de trabalhadores forçados entraram nessa situação devido a dívidas anteriores e são obrigados a trabalhar até terem pago esse valor.

Quase quatro milhões de adultos e um milhão de crianças são vítimas de exploração sexual forçada.

Este estudo inclui a análise de 48 países. Foram entrevistadas mais de 71 mil pessoas e foi usada informação adicional da Organização Internacional para as Migrações.

c/agências internacionais

Fonte: https://www.rtp.pt/noticias/mundo/quarenta-milhoes-foram-vitimas-de-escravatura-moderna-em-2016_n1028110

México: Ator da novela O Que a Vida Me Roubou cria projeto para combater o tráfico de pessoas

Fernanda | 27 de agosto de 2017 | Famosos

A novela O Que a Vida Me Roubou estrelada por Angelique Boyer e Sebastián Rulli está chegando ao final. A trama traz um elenco repleto de astros e estrelas muito talentosos, entre os destaques está Ferdinando Valencia, o Adolfo, um dos vilões da história.

Ferdinando Valencia está atualmente engajado em um projeto que busca acabar com o tráfico humano no México e no mundo. O famoso fez um vídeo emocionante mostrando o que acontece com as mulheres que são traficadas.

Na mídia, o intérprete de Adolfo de O Que a Vida Me Roubou, mostra que as principais vítimas do tráfico humano são as mulheres pobres. Ele mostra que elas são enganadas através das redes sociais, ou então a quadrilha envia um homem para ganhar a confiança dela e depois fazer o que quiser com ela.

Normalmente as mulheres que são vítimas do tráfico humano são levadas para longe de suas famílias e se tornam escravas sexuais, através da prostituição. O vídeo conta com a participação da filha de Ferdinando que se chama Sofia e tem 13 anos de idade.

Na legenda do vídeo Ferdinando escreveu: “Amigos por favor um pouco de atenção! Vejo com tristeza que em nosso estado e país a violência está crescendo de forma alarmante, vejo como estamos nos acostumando e nos queixando sem fazer parte da solução. O tráfico de pessoas cresce e nada é falado sobre isso…”.

Atores de O Que a Vida Me Roubou compartilham o vídeo

Os atores da novela O Que a Vida Me Roubou: Sebastián Rulli (Alessandro), Angelique Boyer (Montserrat) e Carlos de La Mota (Renato), compartilharam o vídeo e estão ao lado do colega de trabalho contra o tráfico de pessoas, especialmente de mulheres.

Ferdinando Valencia vai ao senado

O ator Ferdinando Valencia, o Adolfo de O Que a Vida Me Roubou, foi até o Senado do México para falar sobre seu projeto e preocupação com o tráfico de pessoas. O famoso publicou uma foto no senado e escreveu: “No senado da república! Promovendo a nossa iniciativa contra o tráfico de pessoas.”

Portanto, Ferdinando Valencia é um ator lindo, talentoso e preocupado com as outras pessoas. Todos devemos combater o tráfico de pessoas, pois é um crime muito grave e acaba com a vida de muita gente. A dica é que todos assistam ao vídeo na rede social do ator, dos outros famosos que compartilharam ou então aqui no site, logo abaixo do texto.

Fonte: http://dicasnainternet.com/ator-da-novela-o-que-vida-me-roubou-cria-projeto-para-combater-o-trafico-de-pessoas/31062/

 

Lei contra trabalho escravo é aprovada em SP

Vereadora Patricia Bezerra esteve no estúdio do Radioatividade para falar sobre a nova medida.