Polícia moçambicana resgata crianças vítimas de tráfico humano

MOÇAMBIQUE

15 crianças estavam entre as 22 pessoas que seriam transportadas esta semana para a África do Sul. ONG fala em “crime organizado” e pede maior empenho das autoridades contra o tráfico humano no país.

Tráfico de seres humanos em África (Foto de ilustração)

Em Moçambique, a polícia anunciou, esta sexta-feira (01.12), em Maputo, que abortou uma tentativa de tráfico de seres humanos, incluindo crianças, para a África do Sul. O caso ocorreu na última quarta-feira (29.11.). Os dois suspeitos de tráfico encontram-se detidos, enquanto se procede a abertura dos respetivos autos de acusação.

O grupo, constituído por 22 pessoas, incluindo 15 crianças com idades entre os cinco e 12 anos, estava a ser transportado para o país vizinho pelos dois presumíveis traficantes. As crianças foram entregues aos seus familiares, segundo informou o porta-voz da polícia na província de Maputo, Fernando Manhiça.

O porta-voz disse que o grupo era transportado numa viatura que foi interceptada pela polícia de guarda fronteira na região da Ponta de Ouro, no sul do país.

“Ao ser fiscalizada constatamos que estavam lá 22 pessoas que não tinham nenhum documento que lhes habilitava a atravessar a fronteira. E nisso suspeitamos logo que se tratava de tráfico de pessoas”, afirmou.

Mosambik ReisepassGrupo que seria transportado para a África do Sul não possuia os documentos necessários para a viagem

Crime organizado

Os presumíveis traficantes alegam que as crianças iam ter com os seus país na África do Sul. Entretanto, a diretora Executiva da Rede de Comunicadores Amigos da Criança, Célia Claudina, esclarece que a legislação moçambicana apenas permite transportar crianças se houver “uma credencial dos pais”.

Célia Claudina descreveu à DW África o estado em que se encontravam as crianças quando foram resgatadas. “Elas foram encontradas numa situação em que tinham receio de contato com as pessoas. É o sinal mais claro de que estavam a ser transportadas de forma indevida e irregular”, acrescentou.

Para a diretora da Rede de Comunicadores Amigos da Criança, este caso faz parte de uma rede de crime organizado. “Há sinal de que este tipo de práticas é frequente no nosso país, mas são casos que não foram devidamente investigados e, por conta de fugas de informação, quando a polícia foi informada infelizmente já não encontraram os indícios que levariam a conclusão de que se estava perante um caso de tráfico de crianças”.

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Polícia moçambicana resgata crianças vítimas de tráfico humano

Pobreza favorece o crime

De acordo com o porta-voz da polícia, “há indivíduos que atravessam a fronteira na busca de melhores condições de vida, outros vêm da África do Sul para Moçambique”. Fernando Manhiça fez um apelo à população, pedindo a todos que ajudem a “divulgar qualquer tipo de ilicitude com vista a colmatarmos este tipo de situações”.

Os casos de tráfico de pessoas ocorrem em diversas comunidades do país. As vítimas são aliciadas com melhores condições de trabalho e de vida, mas muitas vezes são usadas para realizarem trabalhos não remunerados, para prostituirem-se ou ainda para contraírem matrimónios forçados.

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